Como compreender melhor o Dharma? | Ensinamento da Semana #2

Este é o segundo post da série Ensinamento da Semana, que a cada 7 dias traz um novo ensinamento budista/da linhagem Nyingma. Para o segundo post, teremos algo mais ligado a filosofia budista: por que estudar o Dharma? Como aproveitar melhor esses ensinamentos?

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Os ensinamentos do Buddha são conhecidos como Dharma. A implicação prática do Dharma é que podemos mudar e despertar nossos corações e mentes para o “pensamento da iluminação”. Temos divagado no Samsara por muitas e muitas vidas porque estamos tentando satisfazer o ego. E podemos ver o Dharma como uma liberação, percebendo que os ensinamentos podem nos tornar pacíficos, saudáveis e nos oferecer conhecimentos universais. Inicialmente, entretanto, queremos estudar, não porque amamos o Dharma, mas porque estamos inseguros. Nossos egos estão deprimidos e exaustos de tanto correr atrás do prazer. Não sabemos como mudar essa direção.

Temos falhado tantas vezes que temos medo de viver nossa vida inteira sem nunca termos compreendido o significado de estar aqui nessa terra. Uma vez que estudamos o Dharma, ele torna-se nosso amigo, nosso guia confiável e companhia constante. Inicialmente nossos motivos são egoístas: queremos os ensinamentos para poder nos liberar da confusão e da depressão – para resolver nossos problemas e satisfazer nossas necessidades. Mais tarde porém, o Dharma pode não ser mais visto como um objeto ou como algo a ser possuído. Em vez disso o Dharma entra em nossos corações e mentes, fluindo através de nossa corrente sanguínea. Tornamo-nos conhecimento Dharma e compreensão Dharma. Porque o Dharma nasce de dentro, nós nos rendemos completamente à nossa própria verdadeira natureza – que é o Dharma.

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É importante, estudar, sentir e compreender o Dharma internamente através de tudo que você estiver fazendo.

Experimentar cada conceito e pensamento, permanecendo no presente momento. Tentar desenvolver uma mente concentrada a cada oportunidade. É também fundamental compreender como ver e provar cada experiência. Do ponto de vista meditativo, a pessoa que está tendo a experiência não é sustentada pela percepção dos sentidos. Ela está completamente concentrada. Podemos dizer que a fonte básica da iluminação é a nossa natureza búdica intrínseca, o pensamento da iluminação. Mas onde ela está localizada? Em um nível físico, dentro de minhas células cerebrais? Dentro do meu coração, talvez? Ou seria minha mente? Onde está a semente da iluminação? Como posso descobri-la?Somos constantemente estimulados por palavras, percepções e especulações intelectuais. Ainda estamos tentando ver o mundo de uma maneira diferente.

Ao invés de substituir uma maneira de ver por outra, comece a olhar para cada aspecto de cada experiência sem nenhum ponto de vista ou destaque em particular. Fique em harmonia, aberto e silencioso. Isso automaticamente torna-se uma experiência viva, uma experiência sem ego. Essa experiência é como mirar zeros: um zero surge repentinamente, então surge outro, e outro, e outro, e ainda outro… até que não haja nenhum ponto no centro. Esse é o começo de um estado de despertar.

Jigme-lingpa, um grande mestre tibetano, uma vez falou: ”Mesmo que a pessoa tenha estudado e praticado por muito tempo e, mesmo que tenha ganhado muito conhecimento e sabedoria, ele ainda não pode alcançar o estado de iluminação. A pessoa que é muito vigorosa e pratica com total concentração, ou a pessoa que é muito paciente e não tem nada mais importante do que se tornar iluminado, nenhum dos dois pode ir além de alguns níveis de samadhi”. Então, quem pode se tornar iluminado? Ele diz: “A única maneira que uma pessoa pode alcançar a realização é através de simples devoção e total confiança”. Isto é difícil para a maioria de nós aceitarmos. Apesar de nos tornarmos intelectuais sofisticados e praticarmos meditação por muitos anos, nada é mais valioso do que uma confiança aberta e verdadeira. Isto pode parecer simples, mas através da confiança e abertura podemos chegar mais perto da realização.

Tartang Tulku Rinpoche é o fundador do
Centro Nyingma de Meditação Tibetana e dos Centros Nyingma. Ele escreveu
e traduziu vários livros incluindo Gestos de Equilíbrio, Kum Nye
Relaxamento e Calma e Clareza.